O ex-ministro e ex-governador do Rio Grande do Sul Tarso Genro (PT) disse ao juiz Sérgio Moro, nesta segunda-feira (12), que todos os partidos já receberam algum tipo de doação não contabilizada para campanhas eleitorais. Genro prestou depoimento na condição de testemunha de defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que é acusado de ter recebido propina da Odebrecht.

“Todos os partidos na história do país, na história republicana e democrática do país receberam doações não contabilizadas. A forma com que essas doações são feitas, se tem origem criminosa ou não, é outra questão. Se ela tem origem criminosa, é um delito previsto no Código Penal, através de um sistema de corrupção que envolva órgãos públicos. Se não, é crime eleitoral. Essa é minha opinião”, disse Genro ao responder uma pergunta da procuradora Isabel Cristina Groba Vieira.

Em seguida, a procuradora perguntou ao ex-ministro se o Partido dos Trabalhadores, ao qual ele é filiado, recebeu algum tipo de doação irregular. Genro afirmou que não poderia falar especificamente sobre nenhuma legenda. “Não posso falar de nenhum partido em particular. Mas sei que é um sistema originário dessa legislação distorcida, que realmente ocorre em todos os partidos”, afirmou.

O político foi ouvido por videoconferência pelo juiz. Genro estava na sede da Justiça Federal em Porto Alegre. Além das perguntas da procuradora, ele respondeu apenas às perguntas feitas pela defesa de Lula. Nem Moro, nem os demais advogados fizeram outras perguntas ao ex-ministro.

Durante pouco mais de 20 minutos, Genro tratou de defender as políticas implementadas durante o governo Lula. Entre os ministérios que comandou, lembrou do período em que esteve no da Justiça e citou das operações policiais feitas durante o período em que esteve na pasta. Muitas dessas operações, segundo ele, tinham como objetivo o combate à corrupção.

Tarso Genro também desqualificou as declarações do ex-deputado federal Pedro Corrêa, preso na Operação Lava Jato. O ex-parlamentar apresentou à Justiça uma foto em que aparece com o ex-presidente, durante uma reunião política, para sugerir que era próximo de Lula. “Não tem nada a ver [a relação]. A presença das pessoas no Conselho Político se dava pelas funções que elas exerciam no parlamento, indicadas pelas bancadas de um determinado partido ou de um partido, representado pela direção”, afirmou.

Fonte: G1

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